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#TBT: Meias lembram conquista marcante do América-MG no Brasileirão sub-20 de 2011

Quinta-feira é dia de relembrar grandes momentos do passado no #TBTDaBase. Há nove anos, o América-MG superava a perda de campeonatos no detalhe para fechar o ano com chave de ouro. O Coelhãozinho surpreendeu os adversários e com uma campanha sólida, foi campeão Brasileiro sub-20 de 2011,

América conquistou título com melhor defesa e melhor ataque. Foto: Divulgação/ FGF

Com um largo histórico de revelação de craques, como Gilberto Silva, Fred, Euller, Éder Aleixo e outros, a equipe mineira tinha um grupo fortalecido em 2011. Sem grandes individualidades, o elenco era comandado por um ídolo do clube, o ex-goleiro Marco Antônio Milagres. Considerado um “paizão” pelo grupo, o técnico montou uma forte defesa, mas sem se esquecer do ataque, que fez 14 gols e foi o melhor do torneio.

E foi essa consistência que os meias Kaio Wilker e Ygor Vinicius destacaram em entrevista exclusiva ao DaBase.combr.

“Era uma defesa muito forte. Matheus, nosso goleiro, foi eleito o melhor do torneio. Tínhamos também zagueiros, laterais e volante muito qualificados”, disse Kaio. Ygor completa, lembrando dos zagueiros Lula e Anderson, além de falar que para fazer gol em Matheus, só “acertando o trinco”.

Hoje titular do Braga, de Portugal, Matheus foi o jogador que mais se destacou daquela equipe. Alguns atletas tiveram sequência no América, como o zagueiro Lula, o volante China e o meia Junior Lemos. Já outros seguiram carreira pelo interior do país, como Kaio, que disputou o estadual deste ano pelo Rio Branco-PR, e Ygor, que está no Tupynambás-MG.

A força do grupo, segundo os atletas, foi fundamental na conquista. O América vinha de uma derrota na semifinal da Copa São Paulo para o Bahia e o vice-campeonato mineiro que escapou nas últimas rodadas. Focado na competição, disputada no fim do ano no Rio Grande do Sul, Ygor afirma que havia muita confiança em uma conquista após os tropeços.

“Para nós, não foi uma surpresa. Nosso grupo era unido, sabíamos que iríamos ganhar algo. Dedicamos muito no Brasileiro, tínhamos uma comissão técnica muito boa, muito foco”, disse. Já Kaio admite que o objetivo era fazer uma boa campanha e colocar o clube entre os quatro melhores, mas que o título marcou a história.

Muitos daqueles atletas aproveitaram o momento para subirem ao profissional e desenvolverem suas carreiras. E a união do grupo permitiu que as amizades fossem mantidas até hoje. Claro, não faltam histórias para relembrar. Para Kaio, um dia inesquecível foi o duelo frente ao Palmeiras, em que o Coelho venceu por 7 a 0 no fim da primeira fase.

“Depois de jogar bem e fazer o gol da vitória contra o Ceará, o Milagres me colocou no banco, mas montou uma estratégia para que eu entrasse quando o Palmeiras tivesse cansado. Ele me chamou e falou ‘Kaio, você está com moral, fez um golaço e uma partidaça contra o Ceará e já estão de olho em você. Mas vou te deixar no banco, para que no máximo no intervalo você entre e, com o time deles um pouco cansado, você bata todas as bolas paradas e seja o homem do jogo’. Deu tudo certo, fiz um golaço e dei três assistências. Saímos de um 0 a 0 duro no primeiro tempo e goleamos, foi muito marcante”

Já Ygor relembra os momentos após a conquista, diante do Fluminense.

“Lembro quado voltamos para Belo Horizonte, estávamos no aeroporto de Porto Alegre, aí passou no Globo Esporte que fomos campeões, foi uma festa. Depois, na aeronave, colocaram uma música que sempre colocavam para mim dançar, só que deu uma turbulência e a aeromoça pediu para mim sentar. Foi muito engraçado, grandes momentos”, comentou.

Kaio Wilker defendeu o América até 2015. Foto: Divulgação/ América-MG

A CAMPANHA

O Brasileiro sub-20, na época disputado no Rio Grande do Sul, contou com a presença de 20 clubes, que se dividiram em quatro grupos com cinco equipes cada. O América teve pela frente Athletico-PR, Ceará, Fluminense e Palmeiras no Grupo A. Diante dos paranaenses, o Coelhãozinho estreou com derrota por 1 a 0. O resultado gerou muita conversa e o fortalecimento do grupo, como conta Kaio.

“Fizemos uma reunião só nós atletas e decidimos lavar as roupas sujas. Começou com xingamentos e dedo na cara, depois diálogo reconhecendo e apontando os erros um do outro. Fizemos uma oração pra pedir que Deus nos abençoasse porque independentemente das diferenças, tínhamos objetivos iguais. Mas no fim, deu tudo certo”

O América se recuperou no torneio com vitórias sobre Fluminense (1 x 0) e Ceará (2 x 0). Na rodada final, um confronto direto  frente ao Palmeiras definiria o segundo classificado às quartas de final. A incrível goleada por 7 a 0 teve, como motivação, as condições que os atletas palmeirenses tinham, como relembra Ygor.

“Era um campeonato de tiro curto, fazíamos a recuperação em cima dos jogos. O Palmeiras chegou com muita estrutura, tinham banheira de gelo para recuperação, já cantava vitória. Colocamos isso como motivação. Depois do 7 a 0, eliminamos eles, foi um jogo memorável’, afirmou.

O mata-mata foi de muita emoção, principalmente nos minutos finais. Em um clássico contra o Cruzeiro nas quartas de final, o Coelho venceu por 1 a 0, gol do lateral-esquerdo Taylor, que havia saído do banco para marcar aos 42 minutos da etapa final. Na semifinal, mais um gol no fim. desta vez de Hindian, que garantiu o placar de 1 a 0 sobre o Coritiba e a vaga na final.

Título americano veio com gol nos acréscimos. Foto: Divulgação/ FGF

Antes mesmo do duelo, as provocações entre os atletas já haviam começado. Kaio fala que algumas músicas provocativas foram ouvidas no hotel na véspera do confronto, mas que isso não afetou o grupo. Contudo, a decisão não começou da melhor forma para o time mineiro. Michel abriu o placar para o Tricolor aos oito minutos do primeiro tempo. Mas China, de pênalti, empatou logo na sequência.

Em um duelo equilibrado, onde os detalhes eram decisivo, uma bola nas costas do zagueiro Lula matou o confronto. Mas não foi uma jogada ofensiva do Fluminense que pegou o defensor desprevenido. Já nos acréscimos, após cobrança de escanteio para a área, o zagueiro desviou quase que sem querer para fazer o gol da virada e garantir o título.

A conquista, que projetou diversos nomes das duas equipes, marcou um título de extrema importância na carreira dos jovens e na tradicional base americana.

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