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Técnicos campeões comentam sobre a volta das competições femininas de base

Quase um mês após a CBF anunciar o novo calendário das competições femininas de base, ainda há muitos desafios no retorno das atividades. Com torneios marcados já para outubro, os principais clubes tentam organizar protocolos para a volta aos treinos em meio à pandemia do novo coronavírus que não dá trégua.

São Paulo e Inter decidiram Brasileirão Feminino sub-18 em 2019. Foto: Mariana Capra/ Internacional

Três competições foram marcadas para 2020. O Brasileirão sub-18 será realizado entre 6 de janeiro e 28 de fevereito de 2021 com a presença de 24 clubes. Antes, em dezembro, será realizada a Etapa Brasil do Festival Sul-Americano sub-14 entre oito times.

O primeiro campeonato do novo calendário será o Brasileirão sub-16, previsto para ser disputado entre 2 e 11 de outubro. Atual campeão do torneio, o técnico do São Paulo, Thiago Viana, chamou a atenção para os riscos de uma volta em meio à pandemia.

“Para voltarmos aos treinos e jogos antes da vacina, precisamos de uma garantia da segurança de atletas, comissão e funcionários. O retorno precisa ser com responsabilidade. A maioria das pessoas que participam da equipe utiliza transporte público, ao contrário do profissional masculino, no qual os atletas já voltaram e possuem maiores condições financeiras e estruturais”

“A base do feminino tem as suas peculiaridades. Algumas atletas e funcionários moram com pessoas do grupo de risco, portanto é extremamente necessário que a volta seja estruturada com protocolos que pensem no todo, garantindo ao máximo a segurança dos envolvidos”, acrescentou.

O São Paulo é um dos principais clubes quando o assunto é futebol feminino de base. A equipe é tricampeã paulista sub-17, vice-campeã brasileira sub-18 e campeã sub-16, além de ter emplacado sete atletas entre as 26 convocadas por técnica da seleção brasileira sub-17, Simone Jatobá, para um período de treinos na Granja Comary.

Base do São Paulo chegou a todas as finais em 2019. Foto: Afonso Pastore/ saopaulofc.net

Outro clube que se destaca na modalidade é o Internacional. Campeã da Libertadores sub-16, dos estaduais sub-14, 16 e 18 e campeã brasileira sub-18, a equipe conta com estrutura e apoio para o desenvolvimento da base feminina. Técnico das equipes sub-14 e sub-16, David Jr. elogiou a CBF pela antecedência na divulgação das datas dos campeonatos de 2020, mas ressaltou que o nível técnico pode ser inferior.

“A preparação não será a mesma. Tivemos que nos adaptar a essa nova situação, tenho que admitir que a nossa comissão técnica e atletas estão dando o seu melhor para podermos tirar proveito dessa situação. Acredito que o nível técnico dos campeonatos não será o mesmo, mas temos todos que aprender com isso e improvisar diante dos treinos a distância”, comentou.

Durante a pandemia, Inter e São Paulo mantiveram seus profissionais sob contrato e não abandonaram o futebol feminino de base. David conta que, assim como o masculino, as gurias coloradas receberam apoio físico, psicológico e tático durante o isolamento social através dos treinos virtuais.

“Tenho a certeza que aproveitamos muito o tempo em casa. As meninas continuaram treinando, sempre com o acompanhamento da comissão técnica, em trabalhos físicos com os preparadores físicos, em exercícios de prevenção de lesões com nosso fisioterapeuta e na parte tática junto ao meu auxiliar técnico. Trabalhamos conceitos táticos, situações de jogo e também sobre o nosso modelo”, explicou.

Há menos de dois meses do Brasileirão sub-16, ainda não há registros de volta aos treinos de nenhuma equipe feminina de base nem confirmação sobre os participantes. O treinador do Internacional relata que a volta será de acordo com o calendário de competições. Para ele, a maior dificuldade será a parte técnica das atletas.

“Acredito que a maior dificuldade será adaptar aos novos protocolos, por ser algo novo, e em treinos na parte técnica, pois algumas meninas moram em apartamentos e não tem a possibilidade de  acesso a espaços físicos para ‘bater na bola’. Mas  vamos trabalhar nisso e elas têm muita vontade de voltar. Então esse processo na volta será executado da melhor forma possível”

Já Thiago Viana diz que o São Paulo ainda estuda as melhores formas de retomar as atividades, condicionando a volta ao estágio em que a pandemia se encontra.

“Estamos conversando para encontrar a melhor decisão para o contexto, mas ainda não há definições. Estamos vivendo uma situação inédita, analisando diariamente como está a pandemia. Não sabemos como ela estará daqui a uma semana, um mês. Portanto decidiremos tudo com calma, analisamos todos os pós e contras, priorizando sempre a saúde de todos (as)”, concluiu.

Enquanto o futebol de clubes se prepara para a volta, a seleção brasileira sub-17 começou o período de treinos na Granja Comary nesta semana visando a preparação para o Sul-Americano da categoria. O torneio está marcado para os meses de novembro e dezembro, no Uruguai e será classificatório para o Mundial da índia, marcado para os meses de fevereiro e março de 2021.

Já a seleção sub-20 também voltará aos gramado em novembro. Na Argentina, a equipe disputará a fase final do Sul-Americano, que começou em março, antes da pandemia. O Brasil avançou ao quadrangular final com quatro vitórias na primeira fase e busca uma vaga no Mundial da Costa Rica, marcado para janeiro de 2021.

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