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#TBT: Técnico relembra “mãozinha” a Tite e time desacreditado no vice-campeonato do Botafogo-SP na Copinha de 2015

Quinta-feira é dia de relembrar grandes momentos no #TBTDaBase. Há seis anos, o Botafogo-SP surpreendia o país e o próprio elenco ao superar gigantes e alcançar a final da Copa São Paulo. Apesar do vice, o grupo desacreditado contava com atletas de potencial e um técnico que deu uma “mãozinha” a Tite, atual treinador da Seleção Brasileira.

Rodrigo Fonseca comandou equipe principal em 2017. Foto: Arquivo Pessoal

Tradicional força no interior paulista, o Tricolor de Ribeirão Preto já havia chegado à decisão da Copinha em 1983, quando foi derrotado pelo Atlético-MG. Demorou 32 anos para a equipe repetir a campanha e chegar à decisão. No entanto, ninguém acreditava muito nessa possibilidade.

Além de surpreender todo o país, o Botafogo superou as expectativas do próprio clube. Quem confirma isso é o técnico Rodrigo Fonseca, que comandou o time em 2015. Ele falou com exclusividade ao DaBase.com.br e relembrou os momentos mais especiais.

“As principais lembranças, sem dúvidas, foi o início, quando poucas acreditavam, era um grupo desacreditado, atletas em fim de contrato, provavelmente seriam dispensados. E dentro da competição a equipe se agigantou diante de grandes clubes. O Fluminense era a base da Seleção Brasileira, o Palmeiras tinha Gabriel Jesus, uma das grandes revelações do futebol brasileiro. Nossa equipe se comportou muito bem, passou pelas dificuldades e chegou à final”.

O Botafogo entrou na Copa São Paulo no Grupo H, com sede em Leme. Após vitórias por 4 a 2 sobre o Fortaleza e 4 a 0 sobre o Independente-PA e um empate por 2 a 2 com o Lemense, o time avançou ao mata-mata, onde a Pantera não se apequenou perto das principais bases do Brasil.

Na segunda fase, o primeiro adversário foi superado nos pênaltis. Após o empate por 1 a 1 no tempo normal, o Botafogo eliminou o xará carioca e avançou às oitavas de final. Daí, em diante, vieram vitórias sobre o Fluminense (3 a 2), Grêmio e Palmeiras (ambas por 2 a 1), levando o clube à sua segunda final. Rodrigo Fonseca admitiu que a campanha surpreendeu a todos, principalmente por bater adversários tão fortes.

“Sempre que entramos em uma competição, buscamos o melhor, para ver até onde iríamos. Eu creio que, não só nós, mas o Brasil todo foi surpreendido. Até porque enfrentamos adversários de peso nos mata-matas. Primeiro o Botafogo, depois Fluminense, Grêmio e Palmeiras até a final.  Ninguém esperava que passássemos, surpreendemos muita gente”, comentou.

Final contra o Corinthians foi disputada no Pacaembu lotado. Foto: Marcos Ribolli

A final guardou um duelo diante do maior campeão do torneio. O Corinthians vinha de uma  campanha com 100% de aproveitamento e eliminação do rival São Paulo nas semifinais, além de contar com nomes como Guilherme Arana, Pedro Henrique e Maycon.

Se a base corintiana se destacava, o time profissional não deixava a desejar. O clube contou com a volta do técnico Tite, campeão mundial anos antes, para comandar o time rumo a mais um título brasileiro na década. E o trabalho de Rodrigo Fonseca pode ter ajudado nisso, como ele relembra.

“Sem dúvidas nenhuma, um dos momentos mais marcantes da Copa São Paulo foi na final contra o Corinthians. O Tite me mandou uma mensagem no whatsapp perguntando se poderia copiar nossas jogadas ensaiadas. Isso foi motivo de muito orgulho e uma situação que jamais vou esquecer”.

Em uma final disputada no Pacaembu, o Botafogo acertou a trave duas vezes, uma em cada tempo. Com o apoio da torcida, o Corinthians cresceu na etapa final e contou com um erro do goleiro Talles, aos 21 minutos do segundo tempo, para marcar o gol da vitória, nos pés de Maycon. Rodrigo Fonseca lamentou a derrota, mas afirmou que não faltou nada para aquela equipe.

“Na minha opinião não faltou nada. A equipe teve comprometimento, discernimento para fazer um jogo de igual para igual com o Corinthians, tivemos duas bolas na trave, oportunidades para abrir o placar. Infelizmente com um chute de longa distância do adversário, tivemos uma falha, o que acontece com todos times, uma falha individual que tirou nosso título”, analisou.

Escalação do Botafogo-SP na final da Copa São Paulo:  Talles, Giovani (Carlos), Caio Ruan, João Neto e Mayc; João Vitor, Túlio Souza (Daniel), Alex e Wesley; William (Erik) e Isaac. Técnico: Rodrigo Fonseca

Daquele elenco, poucos atletas vingaram no futebol profissional. Vários atletas seguiram pelo interior do estado, como o goleiro Talles, o lateral-esquerdo Mayc e os atacantes Isaac, João Féres e Pedro Tonzer. Outros, como Erik, João Vitor e Willian não deram prosseguimento à carreira. Um dos poucos que teve mais espaço no próprio Botafogo foi o zagueiro Caio Ruan, o que, na visão de Rodrigo Fonseca, foi o maior problema dessa geração.

“Tudo é a oportunidade, a partir desse momento você confia em uma geração e coloca para jogar, principalmente na equipe profissional. De repente a situação seria melhor para alguns atletas, ter oportunidades no profissional e dar andamento à carreira. Eu penso que se eles tivessem tido essa oportunidade, alguns estariam jogando em alto nível”, afirmou.

Alex foi eleito craque da final da Copinha de 2015. Foto: Rogério Moroti/ Agência Botafogo

Entre os destaques do time vice-campeão, estavam Isaac e Alex, que tiveram destinos bem diferentes. O primeiro foi um dos artilheiros do torneio, com oito gols marcados. Já o segundo seguiu para o Cruzeiro, onde se profissionalizou e, após pouco espaço, teve a chance de atuar no futebol português. No entanto, sua carreira foi tragicamente encurtada após uma parada cardíaca durante uma partida do Alverca. O treinador rasgou elogios à dupla.

“O Isaac fez uma Copa São Paulo maravilhosa, um atleta que ajudava a marcar, tanto que marcou gol roubando a bola no ataque, comprometido, sabia jogar na área, aproveitava as oportunidades, tinha faro de gol. Um atleta extraordinário, soube aproveitar e foi para o Corinthians, um time grande, difícil de jogar, e teve poucas oportunidades”, destacou.

“O Alex tinha qualidade técnica indiscutível, era acima da média, tinha qualidade, força, batia bem na bola, era diferenciado, inteligentíssimo, achava os jogadores em boas condições. Ele tinha uma deficiência na marcação, mas na Copinha ajudou nessa função. Seria um craque. Até o acompanhei depois no Cruzeiro, teve poucas oportunidades, depois vinha tendo a chance de jogar em Portugal, mas infelizmente aconteceu o falecimento trágico”.

O panorama não é muito diferente na carreira do treinador de 49 anos. Após o vice-campeonato da Copinha, ele passou pela base do Cruzeiro e voltou ao Tricolor, desta vez como comandante do time principal, em 2017. Depois de rodar pelo interior do país, ele deixou o Sertãozinho no mês passado e tenta se firmar no cenário nacional.

“Logo após a Copa São Paulo, eu fui para o Cruzeiro, tive sondagens de outros grandes times brasileiros, fiz até entrevista, e acabei indo para o Cruzeiro. Depois voltei ao profissional do Botafogo na Série C. Desde então sempre trabalhei com profissional. Na base, ganhei os jogos regionais abertos, e no Cruzeiro fomos campeões mineiros e chegamos às semifinais da Copa do Brasil”, encerrou.

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