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#TBT: Julinho Camargo relembra tempos vitoriosos na base do Grêmio

Quinta-feira é dia de relembrar grandes momentos do passado no #TBTDaBase. Há doze anos, o Grêmio conquistava seus dois primeiros títulos nacionais na categoria sub-20, coroando um trabalho de quatro anos. Sob o comando de Julinho Camargo, o Tricolor revelou diversos atletas e afirmou seu DNA Formador.

Julinho Camargo acumulou títulos e revelações na base gremista. Foto: Arquivo Pessoal

O trabalho do técnico na categoria começou em 2005; O treinador revelou nomes como Cássio, Marcelo Grohe, Rafael Carioca, Lucas Leiva e Douglas Costa, que renderam frutos não só para o clube, mas também ara o futebol brasileiro e europeu. As consequências do bom trabalho só poderiam ser duas taças no fim de seu ciclo: a Taça BH e o Brasileirão de 2008.

O sucesso daquela equipe, segundo Julinho Camargo veio do trabalho em equipe. Em entrevista exclusiva ao DaBase.com.br, o treinador valorizou a qualidade dos profissionais da base gremista naquele período.

“Tínhamos pessoas competentes em todas as áreas e o respaldo da direção. O Rodrigo Caetano na direção, Andrey Lopes, Bugre, João Antônio como auxiliares, três preparadores físicos de qualidade, o Ivan como preparador de goleiros, corpo médico e observadores, muitas pessoas capacitadas, isso ajudou muito”, ressaltou.

“Era um ambiente que disseminava o trabalho profissional, o objetivo de chegar ao time principal. Quando você junta bons profissionais e atletas de qualidade que entendem o processo, o sucesso acontece. O coletivo fez a força. E a prova disso são que essas pessoas hoje trabalham em alto nível, em outros grandes clubes ou no próprio Grêmio”, acrescentou Camargo.

O treinador, que teve passagem pela equipe profissional em 2011, conhecia a base do clube como ninguém. Ele iniciou sua carreira em 1989 e passou por diversos cargos tanto no lado azul quanto no lado colorado de Porto Alegre, entendendo os processos de formação. Hoje, aos 49 anos, Camargo analisa as mudanças nos processos de formação dos atletas através de cinco pilares: físico, técnico, tático, emocional e humano.

“São situações evolutivas naturais. Do inicio da década de 90 para cá, a ciência esportiva evoluiu muito no físico, são pequenas abordagens, entendimentos, e todos evoluem com ela. Acho que o acesso à informação nos dias de hoje é muto mais amplo que naquela época, todos  têm condições de saber o que está acontecendo no mundo. Há a troca de conhecimento de forma mais eficaz, é possível fazer a construção do seu pensamento de forma mais qualificada. Professores, coordenadores e gestores podem qualificar seus processos para a formação de atletas”, analisou.

Apesar disso, o treinador acredita que a parte técnica sofreu alterações nem tão positivas.

“A parte técnica perdeu na aquisição de possibilidades motoras. No Brasil temos a perda de campos, praças. Hoje, a criança não tem onde jogar o futebol do bairro, da periferia e acaba no whatsapp, jogando videogame. Vemos crianças com aspectos cognitivos mais avançados, resolvendo pequenas questões, mas a questão motora é um problema”, disse.

“No emocional, a psicologia tem apenas 40-50 anos e cada vez é mais importante na questão de abordar os aspectos da transição para o profissional. E, por fim, a questão humana, acho que os clubes estão evoluindo, entendendo que a formação do jogador não é só como atleta, e sim do ser humano. Ele é extremamente importante e precisa ser bem cuidada’, completou o técnico.

Julinho Camargo e Ângelo Docena foram parceiros no Grêmio há dez anos. Foto: Arquivo Pessoal

Conquistas e Revelações

O trabalho desenvolvido na base do Grêmio rendeu frutos rápidos. Logo nos três anos iniciais sob o comando de Julinho Camargo, o Tricolor foi tricampeão gaúcho, além de conquistar a Copa FGF Profissional, disputada pelo clube com os garotos da base, em 2006.

Além das conquistas, diversos atletas subiram ao time profissional. Nomes como Carlos Eduardo, Lucas Leiva e Bruno Teles passaram pelas mãos de Julinho Camargo e disputaram as finais da Libertadores de 2007, onde o clube foi vice-campeão da América. Ao todo, nos quatro anos, foram 39 jovens da base utilizados no time principal.

Em 2007, inclusive, o Tricolor foi às semifinais do Brasileirão sub-20, sendo eliminado nos pênaltis para o Cruzeiro, A queda, no entanto seria vingada no ano seguinte. Liderados por Douglas Costa, o Tricolor foi a Minas Gerais para a disputa da Taça BH e conquistou a primeira das duas viradas fundamentais naquele ano.

Sediado nas cidades de Cláudio, Lavras e Santo Antônio do Amparo, o Grupo A da competição contava com Grêmio,  Santos, Athletico-PR, Fabril-MG, Amparense-MG e Bela Vista-MG. Na primeira fase, o Tricolor teve algumas dificuldades. Após empates contra Fabril (1 x 1), Athletico (0 x 0) e Santos (1 x 1) e uma vitória por 3 a 0 diante do Amparense, o clube chegou à última rodada precisando vencer o Bela Vista. E o resultado veio com uma goleada por 4 a 0, garantindo a classificação como vice-líder da chave.

No mara-mara, o clube gaúcho passou por Goiás (2 x 0), Corinthians (2 x 1) e América-MG (3 x 2) até chegar à final, diante do mesmo rival que havia tirado as chances de título nacional no ano anterior.

Jogando no Estádio Independência, em Belo Horizonte, frente à torcida cruzeirense, o Grêmio saiu atrás do placar. após o gol de Eliandro, já no segundo tempo. Mas os gaúchos buscaram a virada. Primeiro, Rafael Paraíba empatou o jogo. Na sequência, Douglas Costa sofreu falta, foi para a batida e marcou um belo gol, garantindo o título gremista.

Destaque na competição, Douglas Costa, com apenas 17 anos, subiu ao time profissional antes mesmo da segunda conquista daquele ano. No Rio Grande do Sul, o Grêmio foi em busca de uma taça que fecharia o ciclo de Julinho Camargo no clube, o Brasileirão sub-20.

Grêmio campeão da Taça BH em 2008 tinha Douglas Costa, como destaque. Foto: Divulgação/ Grêmio

Novamente no Grupo A, desta vez ao lado de Náutico, Coritiba, Botafogo e Corinthians, o Grêmio avançou na segunda posição Foram duas boas vitórias, um 3 x 0 diante do Botafogo e a incrível goleada sobre o Corinthians, por 7 a 0. Após perder para o Náutico por 1 a 0 e empatar por 2 a 2 com o Coritiba, a equipe chegou às quartas de final.

No Mata-mata, mais uma virada. Após levar 1 a 0 do Ipatinga já na etapa final, o time contou com dois gols de Marcus Vinícius e um de Rafael Martins para vencer por 3 a 1. Na semifinal, nada menos que um Gre-Nal. Em um jogo disputado, o Tricolor conseguiu o triunfo por 2 a 1, com gols de Rafael Martins e Rafael Paraíba.

A decisão, diante do Sport, seria marcada por mais uma virada emocionante dos comandados de Julinho Camargo. Diante de 5 mil torcedores no Passo D’Areia, em Porto Alegre, os gaúchos saíram atrás do placar. Xinho abriu o placar para o Sport aos 27 minutos do segundo tempo, preocupando os torcedores. Mas o poder de reação tricolor veio da qualidade em campo.

Quatro minutos depois, Wesley completou um cruzamento de letra e empatou a partida. Aos 39, Mithyuê acertou um belo chute da entrada da área e definiu a vitória gremista por 2 a 1. O jovem, aos 19 anos, foi eleito o craque da competição, sendo uma peça fundamental na conquista.

Apesar dos títulos, a geração campeã em 2008 não teve tantos nomes de sucesso no Brasil, com exceção de Douglas Costa (hoje na Juventus) e Marçal (atualmente no Lyon). Tidos como promessas na época, alguns fizeram carreira no exterior, como Paulinho (Japão) e Rafael Martins (Portugal). Bruno Renan, que foi vendido ao Shaktar Donetsk, da Ucrânia, não vingou e hoje  joga por clubes menores no país. Já Mithyuê abandonou o futebol e atualmente se dedica ao futsal, onde iniciou a carreira.

Julinho Camargo deixou o Grêmio no início de 2009, quando se tornou auxiliar do time principal do Vitória. Mas o trabalho deixado no Grêmio ainda rendeu mais uma taça. Sob o comando de seu auxiliar, Andrey Lopes, o Tricolor foi bicampeão brasileiro da categoria, marcando época com uma base que até hoje é motivo de orgulho para o clube.

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