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#TBT: Fábio Matias valoriza trabalho no título do Desportivo Brasil no Paulistão sub-17 de 2012

Quinta-feira é dia de relembrar grandes momentos no #TBTDaBase. Há oito anos, mais de 80 clubes entravam na disputa do Campeonato Paulista sub-17. Porém todos se renderam ao Desportivo Brasil, campeão do torneio em 2012 com um ataque imperdoável e revelações dentro e fora de campo.

Desportivo Brasil foi campeão com melhor ataque do torneio. Foto: Divulgação/ Desportivo Brasil

Clube-empresa que foca na formação de atletas, o Desportivo contava com uma geração de promessas em campo e no banco de reservas. Comandado por Fábio Matias, atual campeão da Copa São Paulo pelo Internacional, a equipe superou os grandes clubes do estado com a força coletiva vista em um ataque imparável.

Em entrevista exclusiva ao DaBase.com.br, o goleiro titular daquela equipe destacou o trabalho do treinador. Lucas Giraldeli disse que Matias foi o melhor treinador que já teve e ressaltou o trabalho coletivo do time.

“Minha principal lembrança é o elenco que tínhamos. Éramos muito entrosados, a equipe foi muito bem montada, nosso técnico encaixou o time perfeitamente. Particularmente, foi o melhor treinador que trabalhei, o único que conseguiu unir a equipe e implementar uma filosofia de trabalho”

O goleiro lembra que o time era extremamente agressivo, jogando com laterais ofensivos em um 4-3-3 posicionado no campo adversário. Dese modo, a equipe chegou a 88 gols marcados em 32 jogos, uma média de 2,75 por partida. Para o treinador, que também falou com exclusividade ao site, o número de gols foi fruto de um estilo de jogo que ele carrega até hoje.

“Trabalho de forma propositiva, com a parte ofensiva clara, consolidando isso ao longo dos anos. Para quem trabalha com formação, isso é essencial, pois desenvolvemos os atletas nos aspectos técnico, tático e cognitivo. Era uma característica, até os empates tinham muitos gols. Quem assistia os jogos gostava muito. Levávamos gols, mas é uma tese que eu tenho: o futebol é feito para quem faz mais gols e quem faz mais sai vitorioso”, analisou Fábio Matias.

Entre gols e vitórias, o Desportivo também alcançou o objetivo de revelar atletas, como Gustavo Scarpa e Léo Duarte, jogadores de destaque no futebol nacional recentemente. Apesar de os melhores do time campeão terem se profissionalizado, poucos conseguiram chegar a grandes equipes brasileiras. Para Fábio, a mudança de clube foi um dos fatores que mais interferiu nesse aspecto.

“Fechávamos o processo no sub-17 para os atletas irem para clubes grandes, e isso pode ter atrapalhado um pouco. Outras culturas, modelos de jogo, treinadores e equipes. Isso atrapalhou alguns meninos. É uma troca importante, sair de nu local que tinha estrutura europeia para outros clubes, tem a dificuldade de adaptação”, explicou.

Fábio Matias durante torneio internacional pelo Desportivo Brasil. Foto: Divulgação/ Desportivo Brasil

Um dos destaques não só daquele torneio, mas da geração 96 era Bruno Gomes. O atacante foi artilheiro do Paulista sub-15 no ano anterior, quando o Desportivo também foi campeão, com 30 gols. Em 2012, foram mais 27 e, em 2013, 28, se tornando triartilheiro dos estaduais de base em São Paulo. Apesar disso, o jogador não conseguiu se firmar no Internacional, clube pelo qual se profissionalizou. Hoje no Paraná, ele recebeu elogios do treinador.

“Ele era o definidor, preparado para fazer gols. Tínhamos um estilo que criava jogadas e distribuía para o atacante, e ele tinha essa qualidade. Dificilmente teremos alguém que faça o que ele fez, ser triartilheiro, marcar tantos gols”, valorizou.

Tanto Lucas quanto Fábio também valorizaram as dificuldades do estadual paulista. O goleiro disse que o grupo estava preparado para superar os grandes da capital, enquanto o treinador ressaltou a quantidade de bons times no torneio.

“O estadual em São Paulo é muito forte De 80 clubes, 30 podem chegar às finais. Em 2012, foram dois finalistas fora do eixo, os grandes não tiveram êxito. Eliminamos o Palmeiras nas semifinais, mas fomos eliminados por eles no ano seguinte na mesma fase. É o estadual mais forte do Brasil na categoria sub-17”

Lucas Giraldeli e Fábio Matias tiveram destinos bem diferentes. O goleiro passou pela base do São Paulo e se profissionalizou no Paraná Clube, mas decidiu abandoar a carreira. Hoje gerente comercial, ele atribui à falta de empresário o abandono das chuteiras, porém destaca a importância do título pelo Desportivo.

“Aquela conquista foi muito importante para todos do elenco, tanto que a maioria dos atletas foram para grandes clubes – eu mesmo passei dois anos no São Paulo. Hoje guardo grandes lembranças e toda a experiência que tive me ajuda na convivência e no respeito. O Desportivo Brasil não presava somente na formação de jogadores, mas também na formação de seres humanos”, afirmou.

Já Fábio seguiu uma carreira vitoriosa na base. O técnico deixou o Desportivo Brasil em 2014 e passou por Grêmio, Internacional e Figueirense antes de voltar ao Colorado no ano passado, onde conquistou a Copa São Paulo em 2020. Ele ressalta a importância da formação de atletas no clube e as portas abertas pelo título estadual.

“O principal foi a formação. muitos atletas saíram para clubes grandes, era o objetivo do Desportivo. Ganhar é consequência do trabalho, estávamos no segundo ano, tínhamos um plantel com muitas opções, um grupo muito bom. Foi um trabalho muito forte de captação, e o trabalho era valorizado no clube. Infelizmente no Brasil o treinador tem que ganhar sempre. Existem formas de ganhar, e do jeito que ganhamos, desenvolvemos os atletas”, comentou.

Lucas Giraldeli foi decisivo nas semifinais do Paulistão. Foto: Divulgação/ Desportivo Brasil

A CAMPANHA

Com 81 clubes divididos em 11 grupos, o Desportivo Brasil começou o Paulista sub-17 de 2012 no Grupo 06. As duas primeiras partidas já davam mostras do que seria a campanha da equipe: vitórias sobre o Rio Branco por 4 a 3 e contra a Ponte Preta por 5 a 2.

A primeira fase ainda viu vitórias contra Ituano, Primavera, Hortolândia, Paulínia e Guarani, além de uma goleada por 7 a 0 diante do Rio Branco. Foram dez vitórias, dois empates e duas derrotas, deixando o time na segunda posição atrás apenas da Ponte Preta.

Na segunda fase, o Desportivo dividiu o Grupo 12 com Novorizontino, Botafogo e Audax. Foram três vitórias, dois empates e uma derrota. A classificação só veio na última rodada, com um triunfo sobre o Novorizontino, fora de casa, por 3 a 0, vingando a derrota da rodada inicial.

A terceira fase reuniu as 16 melhores equipes em quatro chaves com quatro times cada. No Grupo 21, o Desportivo enfrentou Osasco, Paulista e Santo André. Desta vez, a equipe esbarrou em muitos empates: o primeiro jogo, por exemplo, foi um 4 a 4 contra o Paulista.

No fim, foram apenas uma vitória, quatro empates e uma derrota e uma classificação apertada. O Desportivo empatou por 1 a 1 com o Paulista na última rodada e contou com uma derrota do Osasco para o Santo André para ficar com a segunda posição da chave;

Comissão técnica do Desportivo Brasil alçou voos maiores após a conquista. Foto: Divulgação/ Desportivo Brasil

As quartas d final contavam com apenas um clube da capital, o Palmeiras, provando a força do interior. No caminho do Desportivo, estava a Ponte Preta, adversário que derrotou o time de Porto Feliz na primeira fase. O jogo de ida é um dos mais marcantes para Fábio Matias, que conta como a partida mudou após o intervalo.

“O primeiro tempo virou 1 a 0 para a Ponte. Fiz uma alteração e mudei a estrutura da equipe no intervalo e tive a felicidade de acertar. Viramos o jogo para 5 a 1. Os meninos se entregaram demais e a mudança estrutural fez a diferença”, relembra.

Já o jogo de volta foi especial para Lucas. que foi decisivo para impedir uma reação da Macaca.”A partida estava 0 a 0 e saiu um pênalti para a Ponte no primeiro tempo. Defendi o pênalti e, no segundo tempo, o Bruno Gomes fez o gol de empate depois deles abrirem o placar”, contou.

Nas semifinais, o Desportivo teve pela frente o único clube da capital restante, o Palmeiras. No duelo de ida, em casa, o time abriu 3 a 0 com apenas 30 minutos de jogo, controlando as ações. Na volta, um susto: o Alviverde fez 2 a 0 na etapa inicial. Como fez melhor campanha nas fases anteriores, mais um gol classificava o Palmeiras às finais. Mas, novamente, brilhou a estrela do técnico Fábio Matias e do artilheiro Bruno Gomes, como relembra Lucas.

“O Fábio Matias deu uma chacoalhada no time dentro do vestiário. Nós voltamos para o segundo tempo, fizemos dois gols (Bruno Gomes 2x) e empatamos a partida em 2 a 2, classificando para a final”.

Na decisão, aquilo que o Desportivo mais fez durante o Paulistão se repetiu: gols. Após uma vitória por 2 a 0 fora de casa, diante do Marília, no jogo de ida, os comandados de Fábio Matias fizeram 6 a 0 em casa. Hat-trick do artilheiro Bruno Gomes e mais um gol para Welder, Caio Cezar e Mateus.

Um resultado que marcou não só uma conquista inédita para o clube, mas também a continuidade de um trabalho. Campeão sub-15 e semifinalista no sub-17 no ano anterior, o Desportivo Brasil projetou técnico, jogadores e vem mostrando até hoje seu potencial formador nas categorias de base.

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