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#TBT: Araruna ressalta sacrifícios que marcaram era vitoriosa da base do São Paulo

Quinta-feira é dia de relembrar grandes momentos no #TBTDaBase. Nesta década, poucos clubes tiveram tanto sucesso na base quanto o São Paulo. Entre títulos e revelações, o CT de Cotia virou referência e, algumas vezes, solução para o time profissional são-paulino.

São Paulo conquistou bi da Copa do Brasil sub-20 em 2016. Foto: Renan Pinheiro/ CBF

Um jovem criado naquele espaço soma as duas vertentes da base tricolor. Araruna foi promovido ao time principal em 2017 por Rogério Ceni trazendo um currículo amplamente vitorioso. Contando somente os principais torneios, o volante conquistou sete taças em um intervalo de quatro anos.

Entre 2013 e 2016, o jogador fez sucesso pelas equipes sub-17 e sub-20 . Mas, por trás, das vitórias, ele relata que houve muito trabalho e sacrifício. Em entrevista exclusiva ao DaBase.com.br, Araruna comentou sobre os tempos na base do São Paulo.

“Minhas principais lembranças são os títulos que conquistamos. Mas, acima de tudo, de uma trajetória muito difícil, árdua, onde a gente abre mão de muita coisa. Porém, ao mesmo tempo, prazerosa! E hoje posso olhar para trás e ver que tudo valeu a pena”, disse.

Além da estrutura de Cotia, o São Paulo contou com profissionais gabaritados para conciliar revelações e formação. Júnior Chávare comandou um processo de reformulação do lado de fora, enquanto André Jardine deixou sua marca dentro de campo. Sobre o atual técnico das seleções brasileira sub-20 e olímpica, Araruna ressaltou o poder inovador.

“Jardine era um cara que cobrava muito e tinha convicção no que fazia. E nós acreditávamos nele. Além de ser um cara inovador (futebol moderno) e corajoso para colocar em prática o que poucos colocam”

As revelações proporcionadas por esse conjunto foram inúmeras. Entre as mais conhecidas, estão Éder Militão e David Neres (jogadores da seleção principal), Luiz Araújo, Boschilla, Ewandro, Inácio e Shaylon (om destaque em clubes importantes do Brasil e da Europa), além de jovens que seguem no Tricolor, como Lucas Perri e Liziero.

O trabalho de longo prazo, para Araruna, foi o fundamental. Ele conta que o grupo se conhecia e tinha entrosamento dentro e fora de campo. “Nós nos conhecíamos muito, já fazia tempo que jogávamos juntos, talvez isso tenha sido o diferencial. Sabíamos do compromisso dentro de campo, e fora de campo a amizade de todos era muito forte”, destacou.

Araruna foi uma das apostas do São Paulo em 2017. Foto: Rubens Chiri/ saopaulofc.net

O volante, que também atuou como lateral entre os profissionais do São Paulo, não deixou de levantar taças após subir ao time principal. Pelo Tricolor, foram 42 jogos em pouco mais de dois anos. Emprestado ao Fortaleza em 2019, ele reencontrou Rogério Ceni, técnico que lhe deu suas primeiras oportunidades. Com  21 partidas disputadas, o jogador participou das conquistas do Campeonato Cearense e da Copa do Nordeste pelo Leão do Pici.

No início do ano, Araruna foi vendido ao Reading, da segunda divisão da Inglaterra, onde começa a escrever sua trajetória europeia. Mas as conquistas na base do São Paulo não ficam para trás, como o jogador comenta. “A minha trajetória vitoriosa na base me deu currículo e experiência para enfrentar os novos desafios, e a certeza de estar preparado para eles”, pontuou.

As conquistas

A primeira das sete conquistas marcantes foi em 2013, ainda na categoria sub-17. A primeira edição da Copa do Brasil contou com a participação de 32 clubes e confrontos mata-mata em jogos de ida e volta. Para Araruna, esse foi o torneio mais importante.

“Todos os títulos foram importantes para mim, porque carimba o sucesso de todo um trabalho feito. Mas a Copa do Brasil Sub-17 foi especial, por ser a primeira disputada (inédita) e por eu ter feito gol na final contra o Flamengo, além de ter sido um dos melhores times que participei”

Depois de uma derrota na estreia, diante do Criciúma, por 1 a 0, a equipe embalou uma sequência de goleadas. Bateu os catarinenses em casa por 4 a 1, passou pelo Sport Recife, com vitórias por 2 a 0 e 4 a 1, e pelo Coritiba, com um empate por 1 a 1 e vitória por 5 a 1.

Nas semifinais, diante do Fluminense de Gerson, o Tricolor perdeu o jogo de ida por 3 a 1 e conquistou a classificação com dois gols de Ewandro na vitória por 2 a 0. Na final, não deu para o Flamengo: 2 a 0 na ida e 3 a 1 no jogo de volta, com gol de Araruna. Além da força coletiva, o destaque ficou com o trio ofensivo. Joanderson (7), Ewandro (6) e Boschilla (4) marcaram 17 dos 24 gols da equipe na competição.

São Paulo conquistou primeira edição da Copa do Brasil sub-17. Foto: Divulgação/ CBF

Após subir ao time sub-20, o volante somou mais três taças em 2015. A primeira foi a Copa Outo, organizada pela Associação Paulista de Futebol (APF). Após passar por São Vicente, Taboão da Serra e Cotia na primeira fase, o Tricolor bateu o Hortolândia por 4 a 2 nas oitavas, o Audax por 2 a 1 nas quartas, o Independente por 4 a 0 nas semis e a Ponte Preta por 3 a 2 na decisão, conquistando o título com 100% de aproveitamento

Em setembro, o São Paulo foi em busca da Copa do Brasil sub-20. Na primeira fase, o time despachou o América-MG com um empate sem gols e uma vitória por 3 a 0. Nas oitavas, confrontos movimentados diante do Botafogo. Na ida, um empate por 3 a 3 com seis gols no segundo tempo; em casa, na volta, a equipe chegou a estra perdendo por 2 a 1 no começo da etapa final, mas virou para 4 a 2 e avançou.

A sequência do torneio mostrou o brilho da dupla Joanderson e David Neres, ambos artilheiros da competição com seis gols cada. O São Paulo passou por Goiás nas quartas (2 a 0 e 1 a 1), Joinville nas semis (1 a 0 e 3 a 2) e Athletico-PR, na decisão, com duas vitórias por 2 a 0, conquistando o segundo troféu do ano.

Para fechar 2015, veio o título da Copa RS. Após avançar em um grupo com Grêmio, Flamengo, Chapecoense e Criciúma, o Tricolor derrotou o Goiás, pelas quartas, nos pênaltis. Na semifinal, a equipe venceu o clássico diante do Palmeiras por 2 a 1 e chegou à decisão contra o Atlético-MG. Com dois gols de Neres e um de Joanderson, a vitória por 3 a 1 fechou o ano com chave de ouro. Mas em 2016 viriam mais.

A temporada começou com a Libertadores sub-20, na qual o São Paulo foi o representante brasileiro. Depois de um empate por 1 a 1 com o Libertad-PAR, a equipe atropelou  Independiente Del Valle-EQU por 8 a 0 e bateu o Melgar-PER por 3 a 0.

Na semifinal, uma grande virada por 3 a 2 diante do Lanús-ARG levou o time à final, onde Lucas Fernandes marcou o gol que garantiu o título continental na vitória por 1 a 0 sobre  Liverpool-URU. Com cinco gols, Luiz Araújo foi o artilheiro da competição.

São Paulo conquistou a América em 2016. Foto: Igor Amorim/ saopaulofc.net

Os outros dois títulos vieram em uma semana. Primeiro, a Copa do Brasil, na qual o clube defendia o título. A campanha começou com vitoria por 3 a 1 sobre o Sampaio Corrêa-MA, que eliminou o duelo de volta, e seguiu com placares elásticos contra o Náutico (4 a 1 e 3 a 0). Nas quartas, uma goleada por 4 a 0 sobre o Criciúma seguida por um empate sem gols na volta.

Depois de duas vitórias diante do Sport Recife, por 1 a 0 em casa com gol de Éder Militão, e por 2 a 0 fora, o Tricolor chegou a mais uma final. Contra o Bahia, a equipe largou bem, fazendo 3 a 1 em casa, com dois gols de Shaylon. O meia faria mais um no jogo de volta, se tornando o artilheiro do torneio com oito gols e garantindo o empate por 2 a 2, que deu o bicampeonato do torneio ao São Paulo.

Para fechar a trajetória da geração 1996 na base tricolor, o clube conquistou o Paulistão após cinco anos. O torneio, que começou em maio com 46 equipes, viu uma ótima primeira fase do Tricolor, com 69 gols em 20 jogos (com direito a uma goleada sobre o Corinthians por 5 a 0). O time passou com tranquilidade por Santo André nas oitavas (2 a 1 e 5 a 1) e Mirassol, nas quartas (5 a 1 e 2 a 1).

Nas semifinais, após um 0 a 0 na ida, o São Paulo bateu o Santos por 2 a 1 com dois gols de Auro e avançou à final, onde pegou o surpreendente Capivariano. E o Tricolor não deu chances para a zebra: 4 a 0 no jogo de ida, em casa, e 4 a 2 na volta, fora, coroando uma semana com duas taças. No fim do mês, uma equipe alternativa ainda conquistaria o bi da Copa RS, nos pênaltis, contra o Botafogo e de forma invicta.

Em 2017, a geração de Araruna subiu ao time profissional No entanto, a base não parou de conquistar títulos. Nos anos seguintes, viriam a Copa Ouro e o tricampeonato da Copa RS (2017), a Copa do Brasil e a Supercopa (2018) e a Copa São Paulo (2019), apenas na categoria sub-20, provando que a força de Cotia gera revelações e taças para o Tricolor.

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