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Jogador de futebol e formador de opinião. Sim, ainda é possível!

Há alguns dias, perdemos o maior capitão que o futebol brasileiro já teve.

Morreu Carlos Alberto Torres: referência tática, técnica e psicológica de toda uma geração. Líder nato. Respeitado mundialmente.

Isso gerou uma discussão interessante, encabeçada pelo colega André Rizek, do Sportv, que criticou os jogadores da atual seleção brasileira (Gabriel Jesus foi a exceção) por não se expressarem – especialmente nas redes sociais – sobre a morte do Capita. (veja aqui)

Concordo com o Rizek. Com certa frequência, critico os “robôs” que ajudamos, diariamente, a formar. E não é só no futebol.

As minhas andanças e trabalhos no meio do esporte, me fizeram concluir: os ATLETAS no Brasil não são preparados para serem formadores de opinião.

Antes de falar sobre os atletas, é interessante destacar o “formadores de opinião”.

Eu, você, o zelador do prédio, nossos pais, a tia costureira, o empresário e/ou o presidente da República. Todos nós, de alguma forma, somos formadores de opinião. Todos nós somos autoridades em determinados assuntos.

E quem é pessoa pública, quem tem fãs, quem tem um grande número de seguidores, é ainda mais formador de opinião. Leia-se formar opinião como a capacidade/posição de influenciar uma outra pessoa com seus gestos, palavras e atitudes.

Sendo assim, fica fácil de entender porque um jogador de futebol, especialmente no Brasil, é um formador de opinião natural.

Acontece que a maioria deles cresce com todos os mimos possíveis que uma pessoa pode ter. Os clubes, as famílias, os empresários, a imprensa e os falsos amigos dão ao atleta a impressão enganosa de que ele pode tudo e que ele é um super herói (ou está nesse caminho), de forma que o que importa é aquilo e tão somente aquilo que está ao redor dele. O além não tem qualquer relevância.

Você que está lendo este texto, pode fazer o teste. Pergunte a três atletas sobre o que acham a respeito da situação político-econômica do país.

Feito isso, me ajude a espalhar a necessidade de trabalharmos nossos atletas para serem atores sociais, para estarem prontos para debates de um mundo que não seja aquele que ele vive diariamente.

É educação. É doutrinação.

Assim como temos o poder de mostrar que o atleta é um fenômeno (mesmo que de forma enganosa) em campo, nas quadras, nas águas, na prática do esporte dele, temos também poder e, principalmente, o dever de influenciá-lo a seguir os passos de atletas como Sócrates, Guga Kuerten, Wladimir e, mais recentemente, de Gabriel Jesus.

É o jogo além do jogo.

Se posicionar também faz parte da vida de um ser humano de sucesso. Vigiemos.

Sócrates é considerado um dos maiores jogadores da história do futebol mundial. Fora dos campos, militou pela democratização do futebol e participou do movimento pelas Diretas Já, no Brasil, nos anos de 1980. (Foto: Reprodução)
Sócrates é considerado um dos maiores jogadores da história do futebol mundial. Fora dos campos, militou pela democratização do futebol e participou do movimento pelas Diretas Já, no Brasil, nos anos de 1980. (Foto: Reprodução)

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