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Coordenador das categorias iniciais do Goiás valoriza aproximação da família na formação de atletas

O sonho de ser jogador de futebol se inicia cada vez mais cedo, ainda na infância. As crianças, apesar de distantes da carreira profissional, começam a treinar logo após darem seus primeiros passos. E para que essa formação seja eficiente e não prejudique a infância de cada um, o trabalho de profissionais como Flávio Augusto é fundamental.

Flávio Augusto coordena as categorias iniciais do Goiás. Foto: Waldir Bernardes e Rosiron Rodrigues/ Goiás

O coordenador técnico das categorias iniciais, que trabalha no Projeto Integração no Departamento de Iniciação Esportiva do Goiás (sub-6 ao sub-14), falou com exclusividade ao DaBase.com.br. Para ele, o desafio dessa formação  que começa tão cedo é o cuidado individual que o clube deve ter com cada jovem.

“Primeiro, a procura e a especialização da formação está cada vez mais precoce. O grande desafio é aliar a formação esportiva com a do individuo. É ter a família como verdadeira parceira no processo, contribuindo assim para o desenvolvimento pleno do jovem”, disse.

“Como atuo como coordenador até o sub-14, idade mínima para o primeiro contrato do atleta, até então as crianças e adolescentes são quase 100% dependentes e ligados à família, por isso o desafio de procurar sempre estar alinhado aos pais e responsáveis”, completou o coordenador.

Para executar esses princípios, o Goiás realiza reuniões e encontros pessoais com os pais dos atletas, coordenação e treinadores, no intuito de apresentar relatórios de desenvolvimento individual, com dados físicos, táticos e técnicos. A aproximação, para Flávio, é fundamental para potencializar cada jovem.

“O que procuramos acompanhar é o comportamento individual e coletivo, para que em cima dessa resposta, possamos entrar em contato com a família e ter um respaldo, saber de algo que possa estar interferindo no rendimento.”, ressaltou.

Com experiência na área, o coordenador analisa que um dos desafios atualmente é lidar com o alto teor de informação das crianças e adolescentes, o que obriga os profissionais a estarem preparados e atualizados.

“Acredito que com o passar dos tempos, com a modernização, as crianças e adolescentes desta geração estão mais ‘questionadoras’, por terem acesso mais fácil às informações.. Então esse também é um desafio do profissional que trabalha com futebol hoje em dia, estar bem informado sobre todos os assuntos que cercam o futebol”, comentou.

Outra questão que envolve o trabalho com crianças e adolescentes no futebol é a necessidade do jogo ser uma diversão, mas sem perder o caráter didático. Flávio acredita na psicologia e no respeito às condições de cada jovem.

“A nossa principal estratégia se chama ‘psicologia/pedagogia positivista’, dando o maior número de feedbacks positivos possíveis, gerando o mínimo de negativismo e pressão desnecessária. Lógico que, na frustração, a correção e por vezes uma ‘bronca’ faz parte, mas sempre com muito respeito e levando em consideração a fase de maturação e a idade”, afirmou.

Comissão técnica é dividida por cada ano de categoria. Foto: Waldir Bernardes e Rosiron Rodrigues/ Goiás

Melhor base do Centro-Oeste

Líder do Ranking DaBase na Região Centro-Oeste, o sucesso do Goiás começa ainda nas categorias menores. Com times formados por ano de nascimento até o sub-14, o Esmeraldino oferece estrutura de campos, equipamentos, departamento médico e profissionais dedicados a cada equipe.

O trabalho de captação, coordenado pelo Professor Ismael Viana, atua a partir da categoria sub-10, com avaliações gratuitas e programadas em um calendário anual, realizadas em Goiânia e outras cidades, através da observação de atletas.

Flávio Augusto conta que o clube possui alojamento apenas a partir da categoria sub-15, mas que também recebe crianças e adolescentes de outras cidades, sempre deixando claro a situação oferecida aos pais e responsáveis.

Esse trabalho, feito desde as categorias iniciais, já revelou diversos jogadores para o futebol brasileiro, como Fernandão, Túlio Maravilha, Danilo, Thiago Mendes (Lyon-FRA), Erik (Yokohama Marinos-JAP), Rafael Tolói (Atalanta-ITA), Ernando (Bahia), Douglas (Besiktas-TUR) entre outros.

Para que isso seja possível, o coordenador valoriza a disputa de competições de alto nível, que “orientam o processo de formação”. Hoje, o Goiás participa de campeonatos desde a categoria sub-6 no futsal e futebol de 7, introduzindo o futebol de campo a partir do sub-10. São torneios estaduais, nacionais e até internacionais.

Entre as competições da Federação Goiana, o clube é o atual campeão goiano sub-13 de forma invicta, além de acumular conquistas nos campeonatos e copas de escolinhas das categorias sub-10, sub-12 e sub-14.

Goiás acumula títulos e revelações na base. Foto: Waldir Bernardes e Rosiron Rodrigues/ Goiás

Apesar disso, Flávio ressalta que os resultados não são o objetivo do trabalho. “Acredito que o resultado de uma competição, seja ele vitória ou de derrota, não deve ser avaliado como o produto final. Tudo depende das etapas, do processo que encontramos naquele momento. O Goiás é um clube que foca muito na formação do atleta”, comentou..

O coordenador finaliza avaliando que o trabalho com as categorias iniciais evoluiu muito no Brasil, mas que é preciso um cuidado maior com a organização das competições.

‘Vejo que cada vez mais a formação é precoce e tem mais importância, onde dificilmente existem captações efetivas para atletas acima dos 16 anos. Nossa primeira equipe, que disputa até competição internacional, é o sub-6. Há uma presença maior de empresários, pessoas envolvidas com os atletas”, avaliou.

“Em relação às competições, elas são muito importantes, independentemente da idade. Mas os órgãos competentes (Federações e CBF) deveriam ter um olhar mais caprichoso para que sejam feitas as adaptações adequadas para cada fase do desenvolvimento do atleta”, concluiu..

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Jornalista apaixonado por qualquer espécie de futebol
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